segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ELA

 Ela estava envolta em água e sangue. O que deixava o lugar em que se encontrava mais frio ainda. Ela se levantou com dificuldade e acabou se sentando. Estava um tanto fraca. A pequena sala tinha azulejos no cão e também revestindo as paredes e o Téo. Aquela sala era fria em todos os sentidos. Foi então que ela percebeu que na sala não havia portas nem janelas. Mas como havia entrado ali? E onde era ali? Ela não sabia, não conseguia pensar. Foi então que parou e começou a analisar a estrutura do lugar. Foi então que agora percebeu que havia algo na parede logo a sua frente. Era uma espécie de porta, estava um pouco camuflada, mas dava para ser vista. Como ela não a havia visto antes? Ela então se levantou e foi andando até a porta, sentiu suas pernas dormentes, mas já havia alcançado a tal porta e se apoiou. Ela agora procurava uma forma de abrir aquela passagem, mas então percebeu que não havia nenhum tipo de maçaneta. Sentiu como se as paredes estivessem se aproximando dela. Ela entrou em desespero e logo a passagem se abriu. Ela ainda não havia entendido como, mas não esperou para saber a resposta qualquer que fosse ela.  
  
 Assim que conseguiu sair daquele lugar horrível percebeu que se encontrava em um lugar grande e aberto por causa do vento que a atingia. Mas ela não enxergava nada estava tudo muito escuro mesmo forçando a vista ela não podia ver. Ela agora sentia mais frio, pois suas roupas estavam ainda molhadas por causa do estado da sala onde antes se encontrava. Ela só queria sair dali e voltar para casa. Como havia parado ali? Não estava mais buscando por respostas, ela só queria encontrar a saída. Ela passou a andar reto e depois de caminhar bastante olhou para os lados e não percebia nada ao redor. Até mesmo o chão por sua textura não indicava nada sobre o local em que ela se encontrava Resolveu então voltar para onde parecia ter ficado a sala. Refez todo o caminho, tentou não desviar. Andou mais do que havia antes e não encontrou a tal sala. Claro que a falta de luz atrapalhava e muito. Mas ela também poderia ter desviado do caminho. O que era bem provável já que não podia ver exatamente para onde estava indo. Começou a tatear com as mãos a sua volta e tudo que encontrava era o ar envolta de si. Tentou com os pés e só tocava no chão sem imperfeições. Já estava ficando desesperada e também estava com frio. Ela então se sentou ali mesmo onde estava e tentou manter a calma. O que era quase impossível levando em conta sua atual situação. Sua roupa já estava quase seca, o vento havia aumentado nos últimos minutos. Ela abraçou os joelhos e começou a chorar, estava exausta e acabou se deitando. Quando estava quase apagando sentiu algo ao seu lado. Parecia um rodapé. Ela levantou com pressa e acabou batendo a cabeça em algum lugar o que a deixou meio tonta. Ela se apoiou a uma parede a sua frente. Foi então que percebeu. Havia uma parede ali! Ela então ficou mais animada e começou a buscar algo com as mãos pela parede. Encontrou o objeto no qual havia batido a cabeça. Era um extintor de incêndio. Mas onde ela estaria agora. O vento havia cessado. Estava abafado agora.  

  Ela ainda não via nada, estava muito escuro. Ela então sentou encostada na parede e ficou pensando no que ia fazer, quando tudo ficou claro onde ela estava. Ela começou então a olhar o lugar e viu que todas as luzes se acendiam em sequencia. Percebeu que estava em um estacionamento. Era um imenso estacionamento subterrâneo. Não sabia como havia parado ali, mas la estava ela. Uma coisa ela sabia, não era o mesmo lugar que estava anteriormente. Como agora podia enxergar olhou suas roupas que ainda estavam sujas de sangue que ela também sabia de quem era. Começou a andar pelo estacionamento onde parecia existir apenas ela. Não havia carros só havia milhares de vagas e grossas colunas indicando o local onde estava.  

  Após andar muito, mas não o bastante para se cansar encontrou um elevador. Ela correu na direção dele e apertou o botão para chamá-lo torcendo para que funcionasse. A luz da tela acima da porta ascendeu e indicou estar no terceiro andar. Ela esperou certo tempo para que o elevador chegasse ao G4 onde ela se encontrava. Era o último andar. Ela entrou no elevador e olhou para o painel de botões. Todos eles estavam em branco. Ela então apertou um dos botões do meio, pois não sabia 
exatamente onde seria o térreo. O elevador subiu rapidamente causando uma sensação desagradável na barriga dela. Quando a porta do elevador abriu ela já pulou logo para fora e deu de cara com um extenso corredor cheio de janelas de vidro. Ela então caminhou por esse corredor olhando pelas janelas.  
 
 Na primeira janela havia um cachorro deitado no canto da sala respirando pesadamente. O cão estava incrivelmente magro e parecia doente. A sala onde ele se encontrava estava completamente suja. O pequeno cachorro devia estar morrendo ali no canto por falta de cuidados de algum irresponsável. Ela tentou então quebrar o vidro e ajudar o cão, mas só podia usar as mãos e não foi o bastante. Continuou a andar pelo corredor e na próxima janela viu um leão atacando bebes focas. Ela também entrou em desespero, mas mesmo quebrando o vidro não poderia nada contra o leão. Assim continuou já um tanto perturbada pelas cenas vista e chegou a mais uma janela. Nesta um homem tinha suas pernas e braços amarrados a lados diferentes de uma mesa estranha. Ele tinha um olhar desesperado. Ela ainda não havia entendido, mas algo iria acontecer àquele homem isso ela sabia. Então a mesa começou a se mover puxando os braços dele para cima e as pernas para baixo. O estavam esticando! Ele seria partido em dois! Ela novamente tenta quebrar o vidro e agora pode escutar os gritos de dor do homem. Sua pele na região do abdômen começa a se rasgar e o sangue escorre pelas pernas. Ela não agüenta ver aquilo e corre para o fim do corredor passando direto pela próxima janela. Mas então ela para e volta pra janela. Nesta janela ela vê um homem vestido de pijamas e na frente dele ela vê duas panteras negras. Elas então pulam em cima dele e começam a arrancar seus membros. Ela aterrorizada senta no chão e novamente chora. Olhando para frente vê uma porta no final do corredor, mas no caminho ainda existem algumas janelas. Ela quer sair dali, mas não quer mais ver cenas tão horríveis e elas iam ficando cada vez pior. O que será que teria nas outras janelas? Ela então se levanta e caminha mais um pouco.  
   
  Há poucos passos da próxima janela ela para respira fundo e resolve passar direto. Porém sua curiosidade é maior. Ela quer muito olhar, mas também tem medo de se arrepender. Ela então olha e vê três pessoas vestidas com roupas de gala em um ambiente de festa. Mas elas não pareciam estar se divertindo muito. As três estavam afastadas e olhavam com tensão para as outras. Ela também notou que tais pessoas estavam encharcadas por alguma coisa. Foi então que a primeira entrou em combustão. As duas outras ao seu lado se desesperaram e começaram a gritar, porém não saiam do lugar. O fogo se aproximou da segunda e a queimou viva. A espectadora então caiu sentada e voltou a chorar. Por que havia decidido olhar aquilo? Mas não conseguia encontrar uma resposta convincente. Ela então começou a percorrer o caminho engatinhando de quatro. Passou por outra janela e ouviu um choro desesperado de uma criança. Teve que resistir muito para não olhar e continuou o caminho e ao passar por debaixo da última janela parou. Ouviu seu nome ser chamado do outro lado. Ao mesmo tempo podia ouvir gritos ao fundo e o barulho de alarme de carros. Ela decidiu não olhar, mas seu nome continuava sendo chamado.  

  Ela então se levantou bem em frente à porta no final do corredor. Segurou a porta, mas não a abriu e voltou para a janela de onde vinha o chamado. Olhou pela janela e não viu nada seu nome, porém ainda era chamado. Ela então viu uma espécie de espiral que começou a girar e a deixou tonta ela então apagou. Quando acordou estava em uma mesa amarrado como o homem da terceira janela e então começou a gritar. Mas sua voz não saia. Ela pedia ajuda e chorava, mas nenhum som era emitido. Ela tentava se soltar também, mas seu corpo não obedecia aos movimentos. Ela agora não controlava o corpo. Mesmo gritando e se sacudindo alvoroçadamente em sua mente seu corpo não se movia e nem emitia sons. Foi então que notou a presença de um leão e duas panteras na sala onde se encontrava. Percebeu também estar coberta por algum tipo de liquido. Era álcool! Estava completamente encharcada. Olhou para o lado e viu algumas pessoas que a olhavam e comentavam algo entre si, mas não faziam nada. Entrou então um homem ao seu lado e na sua mão havia diversos tipos de instrumento de tortura. Ela tentou gritar, mas não adiantava nada.  

  O homem então escolheu algumas daquelas ferramentas e gritou uma espécie de comando. Ela então começou a sentir o corpo ser puxado, sentiu também o calor do fogo a sua volta e logo notou o homem que com uma faca mirava em seu olho direito além de ter ouvido o rugir das feras tão perto. Ainda assim tentava gritar e fugir, mas nada acontecia. Ela então se moveu de um lado para o outro da cama, se enrolando no edredom estampado com pequenas flores amarelas. Foi então que ela caiu da cama em seu piso de madeira da cor mogno. Assustada logo se levantou e olhou para os lados. Reconhecendo o abajur branco em forma de coração, os perfumes importados em cima de uma penteadeira e também se reconhecendo no espelho enorme e logo percebeu estar em seu quarto. Ainda de frente ao espelho percebeu sua camisola de seda tão branca que nunca havia sido manchada por sangue ou algo parecido. Tudo havia sido apenas um sonho. Um simples e terrível sonho.  

FIM 

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