quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Bom dia meu amor

  Hoje você não me ligou para dar bom dia. Talvez não tenha tido tempo e no momento deixei pra lá. Porém a minha manhã não foi nada fácil. Eu mal pude fazer as minhas coisas, eu sempre estava pensando em você. Olhei meu celular a todo instante esperando no mínimo uma mensagem pedindo perdão, mas nada chegou aqui. Ainda não consigo parar de olhar e percebo que isso já virou um grande vício do qual talvez eu nunca vá me livrar.

  O que será que houve? A culpa foi minha? O que fez a gente ficar tão distante assim?

  Até parece a primeira vez que deixa de me ligar, mas definitivamente não é. Já fazem semanas desde a última vez que nos falamos, faz um bom tempo. Se faz tanto tempo porque ainda insisto em olhar a cada minuto o celular? Se faz tanto tempo porque ainda acho que vai me ligar? Se faz tanto tempo porque eu não consigo superar?

  Talvez eu tenha culpa, mas não sei dizer o que houve. Será que eu deveria ter ligado? Será que eu deveria ter ligado na primeira manhã que deixou de me desejar bom dia? Talvez seja meu orgulho que tenha nos separado,mas só talvez mesmo. Eu não vou resistir e ligar e continuo insistindo em esperar.

  Será que você assim como eu não larga seu celular para nada e a cada 
vibração acha que é uma chamada? Eu não sei e desse jeito nunca vou saber, eu não sei se me importo, mas ainda assim espero o seu bom dia amanhã. 

  Penso que isso tudo já virou doença. Não consigo sair do ciclo que eu mesma criei. Nada acaba fazendo sentido e os meus objetivos são apenas esperar. Não era assim, o que foi que houve comigo? Eu era tão segura de mim e não deixava que ninguém se intrometesse na minha vida. Foi quando um dia, não sei qual, você passou a ser a minha vida.

  Então hoje eu espero até adormecer que meu amor venha falar comigo, nunca mais veio. Acordo e começa de novo a espera por uma ligação sua, que eu sei que não virá. Não eu não vou ligar, eu vou esperar e esperar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

SERÁ?

  Essa noite sonhei novamente com você. Sonho contigo quase toda noite e isso eu não posso controlar. Mas também o que iria querer se escrevo poemas de amor e fico pensando em você antes de dormir.

  Escrevo todas as noites umas mil e poucas palavras de amor. Palavras de diferentes tipos de afeto e beleza, mas para mim elas todas significam você. Escrevo por vezes poemas tristes te coloco inalcançável, mas sempre perfeito.

  Deito na minha cama e por não conseguir dormir logo fico pensando em você. Fico imaginando minha vida perfeita ao seu lado. Já imaginei até mesmo uma família em uma linda casa, eu e você juntos.

  Como de noite e antes de dormir só penso em você. Provavelmente seja mais fácil sonhar com você. Os melhores sonhos que já tive! Alguns até mesmo irreais, mas só por você estar lá eles faziam todo o sentido!

  Aliás, não é apenas durante a noite que penso em você. Já que constantemente meus sonhos são invadidos por ti acordo feliz pensando em você. Dependendo do sonho penso em você por todo o dia.

  Ao acordar olho para o lado e imagino como seria bom acordar ao seu lado. Depois que tomo meu café da manhã imagino se você terá comido antes de sair de casa. Quando estou na parada esperando meu ônibus lembro que você também espera o seu em algum lugar da cidade.

  No meu trabalho não paro para descansar, mas a todo momento imagino como está sendo seu dia de trabalho. Será que está trabalhando tanto quanto eu? Na hora do almoço peço o meu prato favorito no meu restaurante favorito logo imagino que você também está comendo da comida que gosta em um restaurante que goste.

  Voltando para o trabalho faço os últimos relatórios do dia para entregar ao meu chefe e fechar meu expediente. Você provavelmente também está cansado como eu e louco para ir para casa, assim como eu.

  Depois de um dia exaustivo lá estamos nós na rodoviária para pegar um ônibus e voltar para casa. Só ali que nos vemos. Mas nos encontramos quase todos os dias. Estamos ali para pegar o mesmo ônibus. Para a mesma cidade. Claro que eu desço primeiro que você, mas faço questão de sentar ao seu lado.

  O ônibus não demora muito, mas você sempre fala comigo. Pergunta como foi meu dia. Sempre rimos juntos dos problemas que acontecem nos nossos trabalhos. Se ficamos próximos naquele ônibus lotado a conversa continua. O assunto do trabalho acaba e falamos um pouco de nós mesmos e foi assim que comecei a te conhecer. Foi assim que comecei a gostar de você.

  Sei o que você pensa sobre o transporte público e o que você acha da política no nosso país. Sei também que torce pro mesmo time de futebol que eu. Sei que temos o mesmo gosto musical e a noite assistimos ao mesmo programa na televisão. Sei também o que gosta de comer e como gosta de passar o tempo.
  
  Chegando à minha parada mal conseguimos nos despedir direito, mas o caminho que faço da parada até minha casa é imaginando quanto tempo será que você demora a chegar a sua. Não sei onde mora nem onde exatamente trabalha, mas nossos dias não são tão diferentes.

  Chegando a casa tomo um banho para relaxar e vou preparar algo para comer. Enquanto a comida não fica pronta eu penso se você mesmo faz seu jantar ou se tem alguém que o faça para você. Ao jantar imagino como seria bom ter você aqui sentado a mesa comigo. Logo após comer vou lavar a louça e ir direto para o quarto a espera do nosso programa favorito.

  Ali deitada e enrolada no meu edredom fico pensando como você está assistindo TV. Logo ao terminar o programa desligo a televisão e no meu pequeno caderno cor-de-rosa rabisco algumas palavras de tão belo significado. Todas pensando em você.

  Quando o sono bate releio tudo que já escrevi e apago a luz. Volto para a cama imaginando se está dormindo ou ainda acordado. Fecho os olhos e para dormir imagino eu e você. Penso em você e depois sonho contigo. Será que isso também acontece a você?



ELA

 Ela estava envolta em água e sangue. O que deixava o lugar em que se encontrava mais frio ainda. Ela se levantou com dificuldade e acabou se sentando. Estava um tanto fraca. A pequena sala tinha azulejos no cão e também revestindo as paredes e o Téo. Aquela sala era fria em todos os sentidos. Foi então que ela percebeu que na sala não havia portas nem janelas. Mas como havia entrado ali? E onde era ali? Ela não sabia, não conseguia pensar. Foi então que parou e começou a analisar a estrutura do lugar. Foi então que agora percebeu que havia algo na parede logo a sua frente. Era uma espécie de porta, estava um pouco camuflada, mas dava para ser vista. Como ela não a havia visto antes? Ela então se levantou e foi andando até a porta, sentiu suas pernas dormentes, mas já havia alcançado a tal porta e se apoiou. Ela agora procurava uma forma de abrir aquela passagem, mas então percebeu que não havia nenhum tipo de maçaneta. Sentiu como se as paredes estivessem se aproximando dela. Ela entrou em desespero e logo a passagem se abriu. Ela ainda não havia entendido como, mas não esperou para saber a resposta qualquer que fosse ela.  
  
 Assim que conseguiu sair daquele lugar horrível percebeu que se encontrava em um lugar grande e aberto por causa do vento que a atingia. Mas ela não enxergava nada estava tudo muito escuro mesmo forçando a vista ela não podia ver. Ela agora sentia mais frio, pois suas roupas estavam ainda molhadas por causa do estado da sala onde antes se encontrava. Ela só queria sair dali e voltar para casa. Como havia parado ali? Não estava mais buscando por respostas, ela só queria encontrar a saída. Ela passou a andar reto e depois de caminhar bastante olhou para os lados e não percebia nada ao redor. Até mesmo o chão por sua textura não indicava nada sobre o local em que ela se encontrava Resolveu então voltar para onde parecia ter ficado a sala. Refez todo o caminho, tentou não desviar. Andou mais do que havia antes e não encontrou a tal sala. Claro que a falta de luz atrapalhava e muito. Mas ela também poderia ter desviado do caminho. O que era bem provável já que não podia ver exatamente para onde estava indo. Começou a tatear com as mãos a sua volta e tudo que encontrava era o ar envolta de si. Tentou com os pés e só tocava no chão sem imperfeições. Já estava ficando desesperada e também estava com frio. Ela então se sentou ali mesmo onde estava e tentou manter a calma. O que era quase impossível levando em conta sua atual situação. Sua roupa já estava quase seca, o vento havia aumentado nos últimos minutos. Ela abraçou os joelhos e começou a chorar, estava exausta e acabou se deitando. Quando estava quase apagando sentiu algo ao seu lado. Parecia um rodapé. Ela levantou com pressa e acabou batendo a cabeça em algum lugar o que a deixou meio tonta. Ela se apoiou a uma parede a sua frente. Foi então que percebeu. Havia uma parede ali! Ela então ficou mais animada e começou a buscar algo com as mãos pela parede. Encontrou o objeto no qual havia batido a cabeça. Era um extintor de incêndio. Mas onde ela estaria agora. O vento havia cessado. Estava abafado agora.  

  Ela ainda não via nada, estava muito escuro. Ela então sentou encostada na parede e ficou pensando no que ia fazer, quando tudo ficou claro onde ela estava. Ela começou então a olhar o lugar e viu que todas as luzes se acendiam em sequencia. Percebeu que estava em um estacionamento. Era um imenso estacionamento subterrâneo. Não sabia como havia parado ali, mas la estava ela. Uma coisa ela sabia, não era o mesmo lugar que estava anteriormente. Como agora podia enxergar olhou suas roupas que ainda estavam sujas de sangue que ela também sabia de quem era. Começou a andar pelo estacionamento onde parecia existir apenas ela. Não havia carros só havia milhares de vagas e grossas colunas indicando o local onde estava.  

  Após andar muito, mas não o bastante para se cansar encontrou um elevador. Ela correu na direção dele e apertou o botão para chamá-lo torcendo para que funcionasse. A luz da tela acima da porta ascendeu e indicou estar no terceiro andar. Ela esperou certo tempo para que o elevador chegasse ao G4 onde ela se encontrava. Era o último andar. Ela entrou no elevador e olhou para o painel de botões. Todos eles estavam em branco. Ela então apertou um dos botões do meio, pois não sabia 
exatamente onde seria o térreo. O elevador subiu rapidamente causando uma sensação desagradável na barriga dela. Quando a porta do elevador abriu ela já pulou logo para fora e deu de cara com um extenso corredor cheio de janelas de vidro. Ela então caminhou por esse corredor olhando pelas janelas.  
 
 Na primeira janela havia um cachorro deitado no canto da sala respirando pesadamente. O cão estava incrivelmente magro e parecia doente. A sala onde ele se encontrava estava completamente suja. O pequeno cachorro devia estar morrendo ali no canto por falta de cuidados de algum irresponsável. Ela tentou então quebrar o vidro e ajudar o cão, mas só podia usar as mãos e não foi o bastante. Continuou a andar pelo corredor e na próxima janela viu um leão atacando bebes focas. Ela também entrou em desespero, mas mesmo quebrando o vidro não poderia nada contra o leão. Assim continuou já um tanto perturbada pelas cenas vista e chegou a mais uma janela. Nesta um homem tinha suas pernas e braços amarrados a lados diferentes de uma mesa estranha. Ele tinha um olhar desesperado. Ela ainda não havia entendido, mas algo iria acontecer àquele homem isso ela sabia. Então a mesa começou a se mover puxando os braços dele para cima e as pernas para baixo. O estavam esticando! Ele seria partido em dois! Ela novamente tenta quebrar o vidro e agora pode escutar os gritos de dor do homem. Sua pele na região do abdômen começa a se rasgar e o sangue escorre pelas pernas. Ela não agüenta ver aquilo e corre para o fim do corredor passando direto pela próxima janela. Mas então ela para e volta pra janela. Nesta janela ela vê um homem vestido de pijamas e na frente dele ela vê duas panteras negras. Elas então pulam em cima dele e começam a arrancar seus membros. Ela aterrorizada senta no chão e novamente chora. Olhando para frente vê uma porta no final do corredor, mas no caminho ainda existem algumas janelas. Ela quer sair dali, mas não quer mais ver cenas tão horríveis e elas iam ficando cada vez pior. O que será que teria nas outras janelas? Ela então se levanta e caminha mais um pouco.  
   
  Há poucos passos da próxima janela ela para respira fundo e resolve passar direto. Porém sua curiosidade é maior. Ela quer muito olhar, mas também tem medo de se arrepender. Ela então olha e vê três pessoas vestidas com roupas de gala em um ambiente de festa. Mas elas não pareciam estar se divertindo muito. As três estavam afastadas e olhavam com tensão para as outras. Ela também notou que tais pessoas estavam encharcadas por alguma coisa. Foi então que a primeira entrou em combustão. As duas outras ao seu lado se desesperaram e começaram a gritar, porém não saiam do lugar. O fogo se aproximou da segunda e a queimou viva. A espectadora então caiu sentada e voltou a chorar. Por que havia decidido olhar aquilo? Mas não conseguia encontrar uma resposta convincente. Ela então começou a percorrer o caminho engatinhando de quatro. Passou por outra janela e ouviu um choro desesperado de uma criança. Teve que resistir muito para não olhar e continuou o caminho e ao passar por debaixo da última janela parou. Ouviu seu nome ser chamado do outro lado. Ao mesmo tempo podia ouvir gritos ao fundo e o barulho de alarme de carros. Ela decidiu não olhar, mas seu nome continuava sendo chamado.  

  Ela então se levantou bem em frente à porta no final do corredor. Segurou a porta, mas não a abriu e voltou para a janela de onde vinha o chamado. Olhou pela janela e não viu nada seu nome, porém ainda era chamado. Ela então viu uma espécie de espiral que começou a girar e a deixou tonta ela então apagou. Quando acordou estava em uma mesa amarrado como o homem da terceira janela e então começou a gritar. Mas sua voz não saia. Ela pedia ajuda e chorava, mas nenhum som era emitido. Ela tentava se soltar também, mas seu corpo não obedecia aos movimentos. Ela agora não controlava o corpo. Mesmo gritando e se sacudindo alvoroçadamente em sua mente seu corpo não se movia e nem emitia sons. Foi então que notou a presença de um leão e duas panteras na sala onde se encontrava. Percebeu também estar coberta por algum tipo de liquido. Era álcool! Estava completamente encharcada. Olhou para o lado e viu algumas pessoas que a olhavam e comentavam algo entre si, mas não faziam nada. Entrou então um homem ao seu lado e na sua mão havia diversos tipos de instrumento de tortura. Ela tentou gritar, mas não adiantava nada.  

  O homem então escolheu algumas daquelas ferramentas e gritou uma espécie de comando. Ela então começou a sentir o corpo ser puxado, sentiu também o calor do fogo a sua volta e logo notou o homem que com uma faca mirava em seu olho direito além de ter ouvido o rugir das feras tão perto. Ainda assim tentava gritar e fugir, mas nada acontecia. Ela então se moveu de um lado para o outro da cama, se enrolando no edredom estampado com pequenas flores amarelas. Foi então que ela caiu da cama em seu piso de madeira da cor mogno. Assustada logo se levantou e olhou para os lados. Reconhecendo o abajur branco em forma de coração, os perfumes importados em cima de uma penteadeira e também se reconhecendo no espelho enorme e logo percebeu estar em seu quarto. Ainda de frente ao espelho percebeu sua camisola de seda tão branca que nunca havia sido manchada por sangue ou algo parecido. Tudo havia sido apenas um sonho. Um simples e terrível sonho.  

FIM 

MACKENA

   Aqui vou contar uma história um tanto diferente. Nessa história eu serei um tipo de narrador personagem. Eu me chamo Mackena Poirot, tenho 15 anos. Não posso dizer que sou a personagem principal dessa história, mas ela se chama Mackena. Mackena é nome da pequena cidade onde eu vivo com meus pais. Frequento a escola da cidade, que é bem grande já que oferece aulas para a população das cidades próximas e menos favorecidas. Por causa da escola e do banco a cidade é bastante movimentada nos dias da semana e nos finais de semana e feriados é muito monótona.  

    Me chamo Mackena não pelo mesmo motivo que as muitas outras pessoas do sexo feminino da minha cidade. Algumas delas já têm filhos enquanto outras ainda nem sabem andar. Minha mãe disse que me deu esse nome por que achava bonito e eu realmente gostava muito dele até me mudar para essa cidade. Eu tinha apenas sete anos quando me mudei e foi impressionante e até aterrorizante estudar em uma classe em que todas as garotas e até mesmo a professora se chamava Mackena. 
  
  Como eu ia dizendo todas as outras Mackenas têm algo em comum. Seus nomes foram escolhidos por causa de outra Mackena. Essa outra Mackena deu nome à cidade e viveu há muitos anos aqui. Como meus pais não moravam por aqui eles não conheciam a história de Mackena Sedgwick. Por esse motivo eu nada tenho em comum com as outras Mackenas.  
   Imagino que já estejam curiosos a respeito da famosa Mackena Sedgwick. Bem vou lhes contar a história dela. Depois explicarei o número enorme de Mackenas nessa cidade chamada Mackena.  

   Deixa-me ver. Pelo que eu me lembro e pelo o que ouvir falar, Mackena Sedgwick assim como eu não nasceu nessa cidade que antes se chamava Bertram. Ela veio morar aqui com seu pai há uns sessenta e sete anos atrás, ela tinha apenas treze anos e a morte de sua mãe foi o motivo da mudança. Nessa época a cidade não era muito bem uma cidade. Era mais um conjunto de grandes fazendas com um mercadinho, um posto médico e um posto policial no centro. Seu pai havia comprado uma pequena fazenda ali e ela passava todo tempo o ajudando. A garota não sabia ler nem escrever até a vinda de uma professora. Essa professora ficou hospedada na casa deles por apenas quatro meses e esse foi tempo suficiente para Mackena aprender a ler e a escrever. Assim a garota começou a escrever histórias para seu pai ler. Alguns anos depois a garota resolveu dar aulas para as crianças das fazendas próximas, eles se reuniam em sua casa e a garota os ensinava a ler e contava as histórias maravilhosas dos seus livros. 
  
  O dono do mercadinho, depois de um tempo, montou uma pequena casa que serviria para essas aulas. Mackena Sedgwick além de escrever também pintava lindos quadros que vendia para todos. As pessoas gostavam muito de seu trabalho. Com a passagem de um cantor pela cidade Mackena descobriu que também cantava muito bem. A garota tinha muitos talentos e era amada por todos. Certa vez com a ajuda das crianças que ensinava e também de outras pessoas ela montou uma peça teatral sobre um dos seus livros. No dia da tão esperada apresentação um homem que era famoso por descobrir talentos acabou se perdendo e chegando ali naquela pequena cidade. Como já era noite e não conseguiria voltar ficou por ali mesmo e decidiu ver a peça. O tal homem ficou encantado com o talento de Mackena como atriz e depois de descobrir todos os outros talentos que a garota possuía a chamou para ir até a cidade que ele estava indo para participar de peças e musicais. Mackena Sedgwick recusou. Não queria deixar seu pai ali só. O homem foi embora decepcionado. 
   
     Após alguns anos no dia do aniversário de vinte e um anos de Mackena seu pai lhe deu uma passagem de trem para a tal cidade. Ela pensou em recusar novamente, mas com a insistência de todos acabou indo. Chegando lá encontrou aquele cara muito facilmente e em pouco tempo Mackena Sedgwick estava estrelando nos mais importantes teatros. Seu sucesso era enorme. Mas aquela mulher talentosa não gostava mais de tanta fama. Parece que com o dinheiro e a fama que ganhou acabou conhecendo pessoas muito ruins que a fizeram largar tudo. Não porque eles a obrigaram, mas porque Mackena não queria viver como aquelas pessoas. Vinte anos depois Mackena Sedgwick voltou para casa. Todos a recepcionaram com muita felicidade. Ela ajudou a reformar vários lugares da cidade que aos poucos crescia, ela realmente tinha ganhado muito dinheiro.  
  
  Mas em alguns anos a cidade Bertram foi acometida de uma grave virose que ninguém conseguia explicar o que era e como tratá-la. Ela era muito contagiosa e por causa disso rapidamente muitos ficaram doentes. Já não havia leitos no pequeno hospital Bertram. O pai dessa Mackena também ficou doente e ela cuidava dele em sua própria casa. Mackena buscava uma explicação e uma cura para aquela doença. Alguns médicos e estudiosos foram para a cidade para realizar esse estudo. Mackena os ajudou nas pesquisas, mas após seu pai morrer devido essa doença a talentosa e querida Mackena Sedgwick também ficou doente. Em pouco tempo ela acabou falecendo. Um pouco depois de sua morte que foi aos seus quarenta e três anos a cura foi descoberta e a paz retornou a cidade. 
    
   O mês em que Mackena morreu também foi o mês em que muitas vidas foram salvas e a cidade voltou a ter ordem. A população de Bertram ficou muito abalada com a morte dela e passaram meses de luto. Todos queriam muito Mackena Sedgwick e assim mudaram o nome da cidade. 
    
   Mas só após o fim do luto que tudo voltou ao normal. As primeiras meninas que nasceram na cidade Mackena receberam tal nome. Eram elas um total de cinco, eu acho. Com o passar dos anos se percebeu que essas pequenas meninas apresentavam talentos maravilhosos. Uma delas chamada Mackena Marple aprendeu a tocar piano aos três anos de idade e ela é agora minha professora de piano. Uma outra garota chamada Mackena Christie já sabia ler aos quatro e é hoje minha professora de literatura. As outras três Mackenas eu não sei muito bem ao certo, mas pelo que ouvi falar uma delas pinta quadros para todo mundo, todas já se mudaram daqui. 
     
 Os outros pais ao saberem dessas Mackenas resolveram colocar o nome de suas filhas que viriam a nascer de Mackena também. Assim elas também seriam muito talentosas. Já ouvi uma história de uma mãe que mudou o nome de suas duas filhas para Mackena. O incrível nessa história é que a maioria das Mackenas tinha realmente talentos especiais. Eu disse a maioria porque conheço algumas Mackenas que não tem nada que chame atenção e elas se tornam cada vez mais comuns. Como por exemplo, a minha vizinha Mackena Hastings. Seus pais colocaram esse nome nela, pois queriam uma filha famosa. Ela tem dezesseis anos e não tem um talento que chame muita atenção. Como as outras Mackenas que não tem essa vocação para a fama ela sofre. Todos cobram dela algo extraordinário, mas ela nem faz mais questão de tentar.

   Bem essa foi a história que intriga a todos que conhecem essa cidade cujo nome também pertence a várias pessoas daqui. Não me preocupo em me chamar Mackena e ter algo de extraordinário e além do mais já que vim de fora as pessoas não me cobram isso. Eu acho que deve ser horrível ter pais decepcionados porque a Mackena deles não é nem será tão famosa quanto Mackena Sedgwick. Essa minha vizinha já se cansou e vive fugindo de casa por causa da pressão dos pais. 
  
   Já que estou falando dessas Mackenas que não cumpriram com as expectativas devo citar Mackena Merridew. Ela era uma garota muito triste, pois seus pais sempre a culpavam por ela não ter se tornado famosa e nem ter trago muito dinheiro para família assim como Mackena Sedgwick havia feito. Ela pertencia a uma família não muito afortunada e sua mãe vivia reclamando por não poder comprar as coisas caras de que gostava. Essa Mackena igual a muitas outras não aguentou a pressão e se matou. 
   
  Após constatarem o problema dessas Mackenas por causa dessa história de Mackena de sucesso ficou proibido registrar qualquer um com esse nome naquela cidade. Mas mesmo assim alguns pais que tentavam a sorte com a filhas passaram a registrá-las em outra cidade. Essa lei contra novos registros do nome Mackena já está em vigor há quatro anos e mesmo assim existem bebês Mackenas. Por causa do número de pais frustrados com suas filhas o que prejudica o psicológico da criança criou-se um novo projeto de lei aqui em Mackena. Não mais será permitida a presença de novas garotas na cidade. É um tanto estranho, mas a situação da cidade não está muito boa para se questionar isso.  
   
   Agora que eu falei que possivelmente será proibido o nascimento e a presença de novas meninas na cidade eu acho que devo falar dos garotos. Sim a cidade também tem garotos e homens. O número é bem inferior aos das garotas. Acredito que seja aproximadamente nove garotas para cada garoto e a cidade não é muito grande. Na minha classe, por exemplo, só há um garoto e o nome dele é Harry, mas ele tem uma irmã chamada Mackena que pinta lindos quadros e quando tiver idade suficiente irá procurar oportunidades para seu talento fora de Mackena (a cidade). Harry assim como os outros garotos e como as Mackenas sem muito sucesso vivem bem longe do que se pode afirmar felicidade. Os homens da cidade não são muito cobrados e por isso acabam sendo esquecidos. Claro que com a média de mulheres para homens eles não encontrariam problemas para se casar. O problema é que as Mackenas com talento não se casam, pois preferem se tornar famosas pelo que fazem e não querem uma família para atrapalhar e as Mackenas frustradas não são aceitas como esposa. A maioria dos homens está cansada de tanta Mackena e por isso vai embora da cidade em busca de mulheres com outro nome já que as não Mackenas aqui em Mackena (a cidade) são incrivelmente raras. Eu por exemplo só conheço pessoalmente uma garota que tem outro nome, ela se chama Lia e sua mãe é uma Mackena sem talento. 
   
   Meus pais vieram morar nessa cidade distante por que eles são procurados em cidades grandes e importantes e como eles tinham uma filha resolveram abandonar seus problemas e sumir. Mas mesmo assim no ano passado saímos da cidade Mackena e viajamos pelas cidades próximas. Nelas a cidade Mackena é considerada uma cidade amaldiçoada onde quem tem vocação para algo que leve ao sucesso vai embora e na cidade só sobra pessoas fracassadas e deprimidas. Quando eu Mackena Poirot ouvi isso achei um exagero, mas assim que voltei para a cidade de Mackenas percebi que era tudo verdade o que falavam. Aquela cidade tinha se tornado algo amaldiçoado. Raramente famílias felizes são vistas se divertindo ou simplesmente andando de bicicleta com os filhos, na verdade acho que eu nunca vi. Normalmente uma família feliz é uma família que possui uma Mackena com uma ótima vocação e onde se vê uma família assim pode-se também enxergar pessoas deprimidas por causa da sua falta de sucesso e da irritante felicidade alheia. 
      
A cidade tem um tom de cinza. Nunca a vi de outra cor. Toda essa angústia que muitos carregam se iniciou sem ninguém imaginar o estrago que faria.  Começou com a pequena é maravilhosamente talentosa Mackena Sedgwick e isso foi há mais de sessenta anos atrás. Não estou dizendo que a culpa é dessa Mackena ou de qualquer outra. Ninguém sabia o que iria acontecer dali em diante. Se alguma intuição mostrando o que de pior poderia acontecer existisse se alguém tivesse tido um mau pressentimento sobre a disseminação de tão maldito nome. Talvez tudo poderia ter sido diferente. Vidas teriam sido poupadas e Mackena (a cidade) ainda se chamaria Bertram e todos teriam o direito de ser feliz. Acho que ninguém tem culpa ou até mesmo todos são culpados. Eu já pensei em mudar meu nome. Não sei como me chamaria, mas o nome Mackena é um peso que carrego. Eu não me enquadro em nada nessa cidade.  

    Eu Mackena Poirot aprendi a ler aos dois anos de idade e a tocar piano aos três. Aos cinco anos eu já havia pintado várias telas que ficaram modestamente boas e já havia escrito novas versões para as estótias maravilhosas de Mackena Sedgwick. Sei tocar piano, cantar e atuar, além de aprender as coisas sozinha. Mas como a última Mackena que esbanjou tanto talento acabou causando todo esse problema na cidade mesmo que sem querer eu não ouso mostrar isso para ninguém. Os únicos que sabem o que sei fazer são meus pais e Mackena Marple minha professora de piano e que tem tantos outros talentos escondidos, assim como eu.   

    Nós duas temos medo do que possa acontecer com o tempo nessa cidade. Já conversamos muito sobre como poderíamos ajudar a mudar a cidade e nunca achamos uma boa solução. Provavelmente ela não há. Não sabemos se o estado da cidade pode piorar. Todos podem ser acometidos por uma amargura terrível. Talvez a população da cidade Mackena já seja vítima de uma melancolia crônica. Mas nós duas não perdemos as esperanças. Talvez sejamos as únicas realmente envolvidas nessa coisa de Mackena que ainda tem boas e reais perspectivas sobre o futuro. Mas uma coisa é certa os hábitos mesmo que ruins e prejudiciais são muito difíceis de mudar. Esse é o pior problema não só dessa cidade chamada Mackena como o problema de todo o resto do mundo.  

FIM